19.4.06

Estresse tecnológico


Estava lendo o artigo Estresse tecnológico: será que ele já atingiu você? que saiu na Infomoney e comecei a lembrar do livro do Richard Wurman, Ansiedade de informação.

O livro fala da explosão da informação, tão comentada nos curso que lidam com informação, do poder que a informação adquiriu, e a importância extrema que damos a ela. E propõe a utilização de um tipo de gestão para que possamos lidar com ela. Uma prova de como é importante gerenciar o que temos ao nosso redor.

Em contrapartida encontrei o artigo A dor de nunca saber o bastante, de Cristiana Baptista, que fala que hoje é até perigoso saber demais. Será? Concordo que o excesso nos dá uma crise de ansiedade horrível. Prova disso é quando sentamos em frente ao computador, tentamos acessar a internet para ver o site que queremos e nada dele abrir. Haja paciência para agüentar. É quase uma necessidade saber, não? Mas hoje, é impossível saber de tudo.

A ansiedade pode ser controlada se aprendermos a gerenciar as coisas que são mais importantes para nós. Podemos selecionar os e-mails que recebemos e ler apenas aqueles não podem deixar de ser lidos, selecionar jornais e revistas e ler apenas os artigos que nos interessam, até comprar apenas os capítulos de livros que precisamos, ao invés do livro todo (proposta muito discutida após a vontade do Google de disponibilizar o conteúdo inteiro de livros na Internet, a Amazon.com já faz isso). Com o crescimento da informação na Internete outros meios de comunicação, produção de documentos, de cursos de especialização e até mesmo dos de graduação, crescimento de meios de mídia, dentre outros, aprender a lidar com o excesso de informação é fundamental.

12.4.06

Gestão do Conhecimento

Muito em voga, a Gestão do Conhecimento tem sido alvo de inúmeros debates e até confusões. A temática se mistura com Gestão da Informação. Eis a prova: o Mestrado em Gestão da Informação e do Conhecimento do Departamento de Ciência da Informação e Documentação da Universidade de Brasília.
Confusões e debates a parte, esta gestão está se tornando muito necessária em grandes empresas e em nossa vida cotidiana mesmo. Isso por causa da quantidade de informação que vem circulando, rondando e preenchendo nossas vidas.
Se já é complicado pra nós, gerenciar caixas de e-mails, revistas e jornais a serem lidos, cursos a serem feitos, eventos para participar, imagine empresas com diversos projetos, com vários empregados e seus conhecimentos agregados.
Comecei a ler o livro Gestão do conhecimento: aprendizagem e tecnologia, construindo a inteligência coletiva
e algumas coisas parecem começar a fazer sentido, ou pelo menos podemos entender a importância da gestão em ambientes empresarias. E até, porque não, em nossa vida.
Este seria um campo bem interessante para profissionais da informação, particularmente para bibliotecários.

20.1.06

Organizar e gerir a informação é fundamental

Hoje eu estava revendo a apresentação que o Morville apresentou no workshop "O Uso Estratégico da Arquitetura de Informação" promovido pelo Terra Forum. Fala da importância estratégica de encontrar a informação necessária na hora necessária.
Inúmeras citações de quanto dinheiro é gasto na busca pela informação correta dentro de tempo hábil. É claro que se formos pensar no fluxo de informação da Internet teremos uma idéia do quanto isso é importante. Mapear e encontrar a informação correta, confiável e em tempo hábil é como encontrar ouro. Eis porque o papel do arquiteto de informação é tão importante na grande rede.
Avaliar o propósito do site, sua missão, fluxo de informação, com flexibilidade, avaliando a usabilidade e ergonomia e estabelecer as melhores formas do usuário encontrar o que procura.
Um estudo publicado na Consumer Reports WebWatch, apresenta um estudo sobre credibilidade da web: Leap of Faith:
Using the Internet Despite the Dangers
. Neste estudo foi realizada uma pesquisa com usuários da Internet sobre quais são as razões que os fazem visitar um website. Nos resultados apresentados, 88% das pessoas responderam que a principal razão é o sigilo e segurança mantido pelos websites das informações pessoas, fornecidas por usuários. 81% das pessoas responderam que são os sites que apresentam informações confiáveis ou de fontes confiáveis e 77% das pessoas afirmaram que preferem sites fáceis de navegar e de encontrar o que procuram.
Segurança, sigilo, confiabilidade e facilidade de encontrar o que procura, eis o que os usuários que navegam na Internet procuram. Em minhas lembranças posso lembrar de inúmeras discussões que enfatizavam essas questões, que pelo visto continuam sendo muito importantes. Questões importantes não somente na web mas em qualquer serviço oferecido.
Hoje principalmente, a quantidade de informação disponível e acessível ao usuário manifesta o que Wurman chama de ansiedade de informação. O usuário tem a sensação que nunca está suficientemente informado, apesar de ler tudo que lhe cai em mãos. E assim surge a sensação de quem as leituras que faz não são suficientes, o que se torna um ciclo vicioso. A gestão do conhecimento entra neste cenário como um bote salva vidas em um oceano de informações, resgatando o que realmente é importante, ou seja, a GC permite que a informação adquira realmente seu papel estratégico e diferencial.

5.1.06

O cliente bateu o pé e quer do jeito dele. Abra caminho.

Ano novo, vida nova, novos projetos, novos clientes... nem sempre. Lidar com cliente é sempre algo complicado. Creio que principalmente para quem trabalha com Internet há algum tempo e que tem clientes que não entendem tanto assim desse assunto. Hoje, navegando na Net encontrei esse diagrama que se não fosse cômico seria realmente trágico. É engraçado mas tem uma verdade inegável. A comunicação entre as pessoas possui muitos ruídos e dá margem a diferentes interpretações que são influenciadas pela vivência de cada um.
Imagine-se frente ao seu cliente. Ele quer algo que você sabe que não vai ficar bom e que provavelmente vai trazer problemas no futuro. Você explica, argumenta, exemplifica, mas o cliente bate o pé. Tem jeito? O cliente viu no site tal e achou legal. Quer também. Não adianta argumentar que o projeto é diferente, que o que ele quer está fora do contexto. Pra resolver a situação, só fazendo o que o cliente quer. Mas e o nosso trabalho? Vai por água abaixo?
Eu acredito que nessas horas é bom estar preparado: faça o que o cliente pede mas deixe a solução que você acha melhor preparada para ser apresentada. Nesses casos é bom testar a solução escolhida pelo cliente e a solução proposta por você. Algumas pessoas são como São Tomé: só acreditam vendo. Assim ele pode ver o que pediu e o que você está propondo. Abra caminho para outra solução.
É a mesma coisa quando um usuário vai para o serviço de referência de uma biblioteca. Quer a informação tal. Procura, procura. Nada. Mas qual é o objetivo? O que se pretende com a informação? São esses os questionamentos que devem ser feitos nessa hora. Se a pesquisa for direcionada de forma correta, outros caminhos se abrem e a melhor forma de resolvê-la se apresenta mais facilmente. O papel do bibliotecário e do arquiteto de informação é abrir caminhos para o usuário encontrar o que procura.

26.10.05

RSS é um tipo de DSI

Há um mês atrás, um amigo me apresentou o site www.netvibes.com. Ele é uma start page, ou seja, um agregador de notícias que você pode configurar do jeito que quiser. Segundo um amigo, Gustavo Moura, envolve conceitos de Rich Internet Applications e aplicação de AJAX. (se alguém se interessa por tecnologia vale a pena procurar saber mais a respeito) Enfim, pra configurar esse maravilhoso agregador é preciso apenas cadastrar os endereços das páginas que vc quer que apareçam nesta sua start page.
Bem, só que para isso o site que vc deseja cadastrar deve ter um RSS que é um arquivo gerado por alguns sites em formato de ficheiro sobre os assuntos que este contém, geralmente em XML. O arquivo é atualizado automaticamente sempre que houver alterações no site. Por meio da Start Page é possível verificar o conteúdo de vários sites de uma vez.
Olhando de perto, isso me é familiar. E pra você? Não parece um serviço de Disseminação Seletiva de Informação - DSI? Mera coincidência? A página que carrega vários RSS serve como referência, onde o usuário pode cadastrar suas preferências de leitura e ter as atualizações à mão. Essa é uma ferramenta e tanto na mão de bibliotecários de referência e os sites estão descobrindo-a agora. Segundo a IDG Now! "Ao usar o RSS, você não precisa visitar todos os seus sites favoritos para saber o que eles publicaram, pois um software o avisa toda vez que uma nova informação for publicada."

Creio que muito do que nós, bibliotecários, aprendemos na academia está apenas mudando de nome e informatizando-se.

24.10.05

E o bibliotecário? Mas não é cientista da informação?

Eu participo de uma lista de discussão sobre Bibliotecas Virtuais, a Bib_virtual mailing list (Creio que as listas de discussão nos mostram várias visões e nos permitem estar mais cientes das diversas realidades que existem). Hoje, nesta lista, veio uma discussão relacionada ao domínio de profissões liberais. Não há uma para Biblioteconomia, ou melhor, para bibliotecários (apesar desta profissão estar listada na CBO). E como sempre, o que é muito comum na área, alguns profissionais se revoltam. (Creio que a culpa disso começa na própria classe que, a meu ver, é desunida) Inicia-se assim uma longa discussão sobre o nome da área, do curso, enfim. Biblioteconomia ou Ciência da Informação? O termo Biblioteconomia não abarca tudo que o profissional desta área faz hoje. Certo? Eu concordo. Mas creio que a discussão terminológica mais atrasa nossa área do que faz avançar. Hoje, um colega da lista, Nilton Santos, fez um comentário que, creio eu, explica muita coisa e principalmente complementa o que escrevi em meu artigo sobre Arquiteto de Informação ser bibliotecário:
A biblioteconomia nasceu na Ordem do Livro, quando o mais importante processamento da informação desenvolvido pela sociedade se situava no livro e na biblioteca. Daí vinha o prestígio do bibliotecário. Ele era um "guardião" e processava 99% da informação processada na sociedade. Hoje se trabalha com processamento da informação em todos os rincões da sociedade e as bibliotecas trabalham com uma infima parte da informação processada por ela.[...]E o bibliotecário que era um especialista em processamento da informação e que poderia ocupar um papel importante ocupando novos espaços vai ficando para trás, vai ficando à margem. Isto porque não consegue entender que mesmo quando tenta abordar a internet por exemplo, faz isto a partir de uma tecnologia específica da biblioteca (incapaz de tratar de sistemas complexos). É preciso rever as teorias da informações de modo que elas sejam capazes de pensar não apenas a biblioteca, mas qualquer sistema de informação. É necessário repensar a teoria, os sistemas e as profissões ligadas à ciência da informação. [...] não adiantaria também chamar o bibliotecário da informação de profissional da informação quando a própria ciencia da informação cai no mesmo erro.

14.10.05

Arquitetura de informação é Biblioteconomia?

AI é a sensação do momento. Aliada a Usabilidade e Ergonomia tem sido ditada como extremamente necessária na construção de websites. É claro que no meio caótico da Internet alguém que se predisponha a organizá-la será sempre bem vindo mas afinal, o arquiteto de informação faz o quê? Quem é ele?
Analisar o fluxo de informação, fluxo de navegação de webistes, trabalhar com a hierarquia de informação do conteúdo do website... É o bibliotecário virtual! É ele quem vai auxiliar o usuário a encontrar o que procura!
É, o termo bibliotecário hoje não condiz muito à realidade. Digo isso porque a formação do bibliotecário hoje não está voltada somente para livros. Formação? Sim, bibliotecário tem formação e de nível superior. São 4 anos de estudos sobre filosofia, literatura, análise e controle de informação (que envolve as clássicas matérias de classificação, catalogação e indexação), estudos de usuários, administração, planejamento e gerência de sistemas de informação, serviços de informação, planejamento e elaboração de bases de dados e outras específicas que dependem da área em que o profissional pretende atuar. Essas áreas vão desde áreas muito especializadas como Medicina, Direito, Engenharia e Ciência da Computação até Artes, Cultura e Marketing. O campo de atuação para o bibliotecário não tem limites. Aliás, o limite é a imaginação deste profissional.
Com o peso do tradicionalismo nas costas destes profissionais, as novas tecnologias parecem não abarcar essa área, o que vem prejudicando a imagem dos novos profissionais que entram no mercado pensando justamente em fazer a união entre estes dois: tradição e tecnologia.
Nós, profissionais da informação, temos uma longa jornada pela frente. A discussão na área sobre a mudança de nome do curso de Biblioteconomia para Ciência da Informação é apenas o começo.

Escrevi um artigo para o Webinsider sobre o Bibliotecário e o Arquiteto.
Bibliotecário é Arquiteto de Informação, sabia?.